O coração ainda pode triunfar?

Em 2025 estreou Triumph of the Heart (Triunfo do Coração), do realizador Anthony D’Ambrosio – um filme que não se limita a narrar um episódio histórico, mas ousa enfrentar uma das perguntas mais difíceis do século XX (e do nosso tempo): o que resta do homem quando tudo lhe é retirado? É esta questão que ressurge, sobretudo, quando se assinala o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.

A resposta é dada num espaço mínimo e extremo: um bunker de Auschwitz, onde dez homens são condenados a morrer à fome e à sede como represália pela fuga de um prisioneiro. O fio condutor é um gesto histórico e teologicamente explosivo: o de São Maximiliano Maria Kolbe (1894-1941), frade franciscano que se oferece para morrer no lugar de um pai de família. Mas o filme não se detém apenas no heroísmo do mártir. O seu verdadeiro risco artístico é outro: imaginar, com rigor e humanidade, o que acontece entre aquelas quatro paredes enquanto a morte se aproxima.

O que ali se expõe é a condição humana no seu grau zero. O espectador reconhece, quase palavra por palavra, aquilo que Primo Levi descreveu em Se Questo è un Uomo (Se isto é um homem): a experiência do fundo absoluto, onde já não há posse, identidade ou linguagem capaz de exprimir a desumanização sofrida – «Chegámos ao fundo. Mais para baixo do que isto, não se pode ir:........

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