E Ulisses regressou |
A Odisseia, de Christopher Nolan, pertence aos filmes que nos devolvem perguntas que, ao longo dos séculos, burilaram a consciência humana. Discutir-se-á, certamente, a fidelidade a Homero, as opções de casting ou as liberdades do realizador. Mas a questão decisiva é anterior: que significa voltar a contar Ulisses (na versão latina; Odisseu, em grego)? Esta questão é um convite à nossa sociedade a empreender uma viagem.
Num tempo em que faltam referências comuns para a vida em sociedade, regressar aos clássicos não é arqueologia cultural. É procurar as pedras fundamentais sobre as quais aprendemos a pensar o destino, a coragem, a culpa, a fidelidade e a esperança. Os textos antigos não oferecem respostas prontas; oferecem algo mais raro: uma gramática para compreender o presente. Quando uma civilização deixa de ler as obras que lhe deram linguagem, perde também a capacidade de nomear os seus conflitos. Cai num analfabetismo humano,........