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Os incorrigíveis /premium

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02.05.2019

A 30 de Abril, o PCP emitiu um comunicado em que condena “a nova intentona golpista contra a Venezuela e o seu povo”. E lá vinha a ladainha do costume: as forças de extrema-direita, Trump, os “governos reaccionários do chamado grupo de Lima” e por aí adiante, chegando ao governo português, que também ele se comporta como um inimigo da “Revolução bolivariana”.

O PC sempre foi assim. Sempre foram estes os seus reflexos, sempre foi esta a sua língua de pau, que parece falada por uma máquina datando do paleolítico inferior. Nada mudou. A capacidade de não ver a opressão, a miséria e a frustração das vidas continua esplendidamente intacta. Tudo no mundo é, por assim dizer, desrealizado para se poder submeter a um esquema teórico puramente alucinatório. As confissões de um paranóico apresentam mais contacto com a realidade do que o PC. Numa coisa, de resto, coincidem por inteiro: a sua incorrigibilidade. O paranóico continuará a acreditar que é perseguido dia e noite por um homenzinho de papel, a sua crença permanecerá incorrigível. O PC, do mesmo modo, persistirá, aconteça o que acontecer, a viver num mundo em que as mesmas entidades se encontram eternamente em luta, e tal crença, sob a ameaça da perda de identidade, não será nunca corrigível. Entretanto, vão-se justificando e defendendo sem pestanejar os mais criminosos regimes. Não há no PC o mais vago vestígio de compreensão humana do outro. A doutrina serve precisamente para eliminar, a bem da “ciência”, tal possibilidade.

O Bloco apresenta, apesar de tudo, uma........

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