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“Eles” /premium

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09.05.2019

Em Portugal, há duas classes profissionais cujos praticantes são genericamente designados por “eles”: os políticos e os meteorologistas. Ambos lidam com matérias que afectam as nossas vidas, os primeiros através das suas acções, os segundos das suas previsões. É verdade que os meteorologistas têm uma fama duvidosa e largamente injusta de não acertarem no que predizem, além de se terem visto ultrapassados em dignidade pela nossa querida Greta, o popular monstrinho sueco que foi recentemente convidado pelo Bloco para vir brincar na Assembleia da República com os meninos deputados e dizer-lhes o que eles devem pensar e como devem falar, aprendizagem a que estão habituados, embora normalmente a cargo dos mais crescidos. Mas o “eles” aplicado aos políticos comporta por definição doses de desprezo incomparavelmente mais elevadas do que o “eles” dos meteorologistas. “Eles” querem é tratar da sua vida à nossa custa, “eles” são uns incompetentes que não sabem fazer nada excepto arranjar esquemas trapaceiros para si e para a família, “eles” pelam-se por mordomias, e assim por diante. Além, é claro, de se deliciarem com a actual versão untuosa, deslavada, escuteira e apocalíptica da saudosa Pipi das Meias Altas.

Toda esta história dos professores tenderá sem dúvida a confortar a opinião pública na pouco gloriosa visão que tem do mundo político. Não confundo Rui Rio com António Costa. Com todos os seus defeitos, mais ou menos patentes desde que se tornou chefe de PSD, Rio é intelectualmente muito mais honesto do que Costa. Apesar de tudo, Costa ameaçou demitir-se por causa da “irresponsabilidade” do CDS e do PSD em votarem com o Bloco........

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