Presidenciais: o que é o voto útil?
1 Começou ontem a campanha para as eleições presidenciais e muitos eleitores estão ainda indecisos, alguns mesmo angustiados sobre a decisão de em quem votar. Gostaria então de começar o ano e o artigo com uma boa “notícia”. Ao contrário dos cinco presidentes que tivemos, e que exerceram dois mandatos, há fortes possibilidades de que, pela primeira vez, o próximo presidente exerça um único mandato. Isto é, caso considere, retrospetivamente, que votou mal na primeira volta, na perspetiva dos dois candidatos que passarão à segunda volta, muito provavelmente terá ocasião de votar noutras eleições, de resultado incerto, daqui a cinco anos. Em dez eleições presidenciais, só houve uma em que foi necessária uma segunda volta: Mário Soares contra Freitas do Amaral. Freitas, derrotado, arrecadou 46% dos votos na primeira volta. A fazer fé na maioria das sondagens, será a primeira vez em que o putativo candidato vencedor na primeira volta terá tão pouco peso eleitoral relativo. Mesmo considerando eventuais ganhos de notoriedade com o exercício do primeiro mandato, que até poderão não existir, o mais certo é termos uma novamente disputada eleição presidencial, daqui a cinco anos.
Passada a boa notícia, vamos à complexidade destas eleições que reside em saber se se deve encarar o voto na primeira volta como exclusivamente para se eleger o futuro Presidente, ou também como um voto instrumental para as próximas eleições legislativas que, segundo Luís Montenegro serão daqui a três anos e meio, mas que ninguém sabe de facto quando serão. É óbvio que estas eleições não são apenas eleições presidenciais. Se o fossem, não teria havido necessidade dos partidos apresentarem o seu candidato presidencial. Todos os cinco maiores partidos (PSD, PS, Chega, Iniciativa Liberal e Livre) apoiam um candidato, e mesmo dois partidos, com menor apoio parlamentar (PCP e Bloco de Esquerda), o fazem. A meu ver, fizeram bem em apoiar uma candidatura,........
