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Yoga, um livrinho de Emanuelle Carrère

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monday

Uma das mais belas e enigmáticas definições de salubridade psicológica devo-a a Henry James, que quando picado em relação a um possível casamento, afirmava airosamente «tal como estou sou bastante feliz e bastante infeliz, e não desejo acrescentar nada a nenhum dos pratos da balança». O quantificador existencial é dúbio: como o devemos interpretar? Podemos começar por um par de premissas: ninguém é suposto ser perpetuamente infeliz; ninguém é devedor eterno a um estado de felicidade. A flutuação contida de humor, entretida numa dobra positivo-negativo, é o estado, ou melhor, o conjunto de estados, que de forma mais satisfatória conduzem o indivíduo pela vida fora. A boa psicologia enquadra-se nos mínimos e adestra-se nos baixios da alma – não nos cumes dos picos das mais altas montanhas onde o ar é rarefeito nem nas profundas depressões das fossas oceânicas onde a pressão atmosférica é descomunal. O equilíbrio mental nada deve a acrobacias no arame; pelo contrário, o funambulista é dado a desperdícios e a estapafúrdios que cedo o colocam em perigo, tudo a troco de uma ovação. Se um político faz tudo por um voto, um funambulista tudo arrisca por um aplauso. Um ser consumido pelo ego ou pela fama, um ser egoísta, egotista e vaidoso, está condenado a um descalabro existencial – Emanuelle Carrère foi, durante muitos anos, a crer nas suas próprias palavras, esse homem na corda-bamba que vivia obcecado com a sua persona.

Churchill, sabiamente, dizia que um escritor escreve para ser lido, para obter lucro, para que as suas obras sejam........

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