Putin deve morrer?
O atentado de 20 de julho na Toca do Lobo visava a morte de Hitler. A sua eliminação física deveria dar oportunidade aos alemães que não se reviam no nazismo para fazer um acordo com os Aliados, concentrando as suas forças militares no ataque à URSS. Se tal plano tivesse sido coroado de sucesso, o rumo da guerra e o destino de milhões de germânicos conheceriam um destino diferente e, provavelmente, com resultados mais felizes. Importantes e decisivos como são claramente as operações em teatro de guerra, os problemas éticos ganharam com o tempo uma dimensão anteriormente insuspeitada. No caso presente, tendo em conta que a disciplina filosófica diz respeito ao conteúdo moral (lato sensu) e à justeza das nossas ações, ao dever ser, levanta-se a questão de descortinar a retidão do ato ou conjunto de atos que levariam ao assassinato do líder nazi naquele ano de 1944.
O suposto ataque a uma residência de Putin, alegadamente por forças ucranianas, pode e deve fazer-nos questionar, para lá (ou para cá) do Direito Internacional, do carácter normativo do jus ad bellum e do jus in bello, não apenas se haverá probidade em acometer contra a vida do presidente russo, mas se tal ação tem o carimbo ético, ou seja, se deve mesmo ser cometido tal ato e se o mesmo........
