"Sidónio Pais, não durmas... senão cais"
A História portuguesa guarda expressões que atravessam gerações porque encerram em poucas palavras o espírito de uma época. “Sidónio Pais, não durmas… senão cais” foi uma delas. Muito mais do que um simples estribilho popular, traduzia a consciência de que Portugal vivia dias perigosos e de que o homem que então presidia à República caminhava sobre um terreno onde a violência política continuava a ser uma realidade. Mais de um século depois, a figura de Sidónio Pais continua a suscitar paixões e divisões. Talvez porque tenha governado num dos períodos mais conturbados da nossa História contemporânea. A I República nascera, em 1910, envolta em enormes expectativas. Prometia modernizar o país, combater o atraso, regenerar a vida política e construir um Portugal mais livre e mais justo. Contudo, rapidamente se viu mergulhada numa sucessão de governos efémeros, crises parlamentares, revoltas militares, dificuldades económicas e uma crescente radicalização política. A instabilidade tornou-se quase uma imagem de marca do regime e muitos portugueses começaram a olhar para os partidos mais como parte do problema do que da solução. Foi neste ambiente que surgiu Sidónio Pais. Oficial do Exército, professor de Matemática da Universidade de Coimbra, antigo ministro e representante diplomático de Portugal em Berlim, reunia qualidades pouco vulgares na classe dirigente da época. Os contemporâneos........
