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Portugal sabe bem porque é pobre. O problema é outro

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Portugal tem um problema económico que muitos preferem simplificar com a designação de baixa produtividade. E sem produtividade elevada, não existem salários elevados de forma sustentada. Tudo isto é objetivamente verdade. Mas porque é que acontece e persiste?

Infelizmente, a discussão pública portuguesa tende frequentemente a reduzir o debate económico a uma explicação moral simplista: os salários são baixos porque os empresários “não querem pagar mais” ou porque “as empresas exploram”.

Mas esta explicação é insuficiente.

Os salários não surgem no vazio. Resultam, em grande medida, da capacidade que uma economia tem para gerar valor acrescentado de forma consistente, escalável e competitiva. E é precisamente aqui que Portugal revela algumas das suas maiores fragilidades estruturais.

Uma economia fragmentada e de baixa escala

O tecido empresarial português é esmagadoramente constituído por micro e pequenas empresas. Muitas delas sobrevivem com enorme esforço, mas sem dimensão suficiente para investir fortemente em inovação, internacionalizar,

ganhar economias de escala, profissionalizar gestão, atrair quadros altamente qualificados ou competir em setores de elevada intensidade tecnológica.

Naturalmente, existem exceções relevantes. Há pequenas empresas portuguesas extremamente inovadoras e competitivas. Mas o problema é agregado, estrutural e sistémico. Uma economia excessivamente fragmentada tende a gerar, menor produtividade média, menor capacidade de investimento, menor intensidade tecnológica, menor capitalização e, consequentemente, salários mais baixos.

É difícil pagar salários escandinavos com modelos económicos de sobrevivência.

O problema do baixo valor........

© Observador