A lição de Ulisses |
Pouco depois de Héracles e Teseu terem tornado o mundo mais seguro, os gregos envolveram-se na guerra mais sangrenta de que havia memória. A culpa, mais uma vez, foi atribuída aos deuses, que colocaram o troiano Páris no meio de uma disputa entre egos femininos. Talvez regressemos a essa história mais tarde: afinal, tudo o que é verdadeiramente importante parece ter começado com um pomo, seja ele o da discórdia ou o do conhecimento. Mas fiquemos, por agora, na guerra de Troia.
Este conflito tem sido apontado como o início do fim do poder do Olimpo. Como se, a partir daí, os deuses tivessem desistido de interferir no mundo dos homens. Como se, horrorizados perante a devastação e o massacre com que os Aqueus destruíram a cidade e a impiedade que revelaram ao desrespeitar templos e locais sagrados, os deuses se tivessem começado a afastar da criação – cada vez mais desejosa de agir livremente. Este distanciamento tornar-se-á claro nos anos que se seguiram à guerra, mas a reação imediata dos deuses foi de castigo, provocando sobre os gregos, que até há pouco tinham sido seus protegidos, violentas tempestades na viagem de regresso a casa. E nenhum dos gregos será posto mais à prova do que Odisseu, ou Ulisses, à sua maneira também uma espécie de herói.
A fama de Ulisses precede-o. Descendente de Hermes e neto de Autólico, é conhecido pela sua inteligência e pela astúcia dos seus ardis – o maior de todos, o cavalo de madeira com que enganou os troianos e que levou à destruição da cidade. A odisseia – a viagem de regresso a casa de Ulisses – durou precisamente o mesmo tempo do que a guerra: dez anos, durante os quais a sua inteligência e a sua astúcia foram sendo postas à prova uma e outra vez, quase sempre com a ajuda dos deuses.
A viagem de regresso de Ulisses a Ítaca é........