A diversidade não é a nossa força

Sempre que ouço Konstantin Kisin dizer “a diversidade não é a nossa força” penso que daria um ótimo slogan para gravar numa caneca de café. É claro que, como pessoa razoável que é, Kisin acrescenta: quando levada a este extremo.

De facto, alguma diversidade pode ser vantajosa, como quando temos uma turma de estudantes que não provêm todos do mesmo sítio e podem dar uma diferente perspetiva do que é viver no norte, no interior, no Alentejo ou na área da grande Lisboa. Da mesma forma, um estudante brasileiro pode trazer uma ótica interessante sobre a América do Sul e os estudantes de países africanos partilham sempre perspetivas muito diferentes das europeias sobre as dificuldades dos regimes democráticos no seu continente, muito em resultado das divisões tribais e étnicas, e sobre a importância da família alargada, de que quase já nos esquecemos.

Homens e mulheres também contribuem com perspetivas diferentes sobre a mesma realidade. Costumo dar como exemplo a observação que ouvi de uma ativista feminista, numa entrevista de resto desinteressante, sobre a importância de ter mulheres no planeamento arquitetónico dos campos de refugiados: um arquiteto homem, por razões de higiene, tenderá a pôr as casas de banho numa zona afastada, mas uma arquiteta compreende que é pouco aconselhável fazer com que as mulheres se tenham de deslocar para locais isolados.

Também a diversidade ideológica é importante: como vimos a propósito da cultura de cancelamento, se os locais de trabalho ou de aprendizagem forem muito homogéneos em termos........

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