Armamento não é defesa
Comecemos pelo que não está em causa. Nenhum país aceita depender apenas de boa vontade diplomática. A tradição da guerra justa – o termo pode ser infeliz, mas não vale a pena inventar a roda – sobre a qual Agostinho e Tomás de Aquino tanto escreveram, existe precisamente porque o pacifismo absoluto é um luxo moral a que os mais vulneráveis não se podem permitir. Mas o realismo não funciona só para um lado.
Clausewitz escreveu que a guerra é a continuação da política por outros meios. Mas o inverso, ou pelo menos uma reinterpretação da ideia do general prussiano, também é verdadeiro: guerra e armamento sem política são apenas despesa.
Defesa genuína tem características reconhecíveis. Identifica a ameaça, define os meios proporcionais, estabelece o que não pode ser substituído por diplomacia e o que pode. Tem debate público: os parlamentos discutem as prioridades e os custos de oportunidade, os cidadãos percebem o que estão a financiar e o que deixam de financiar em troca. Tem integração estratégica: o investimento militar é parte de uma política de segurança........
