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Tríptico europeu /premium

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25.05.2019

Amanhã, Portugal vai a votos. Nestes dias, os cidadãos da União Europeia têm, mais uma vez, a oportunidade de escolher os seus representantes no Parlamento Europeu. Estas eleições acontecem num momento de crise para o velho continente, de que o Brexit é o sintoma mais evidente. A Europa, que durante séculos foi a pátria da mais importante civilização do mundo, parece ter perdido a sua identidade cristã, razão da sua unidade e grandeza, e é agora um continente à deriva.

1. Os partidos dos católicos ou os católicos dos partidos anticatólicos

O patriarcado de Lisboa publicou, na sua página numa rede social, um quadro elaborado pela Federação Portuguesa pela Vida, que elucidava os cristãos sobre o ideário dos vários partidos, em relação a questões que são essenciais para qualquer fiel que queira votar de forma livre e responsável. Quando se soube, iam caindo o Carmo e a Trindade: Valha-nos Deus, que voltou o fantasma do voto católico! Ai Jesus, que os bispos andam a fazer campanha eleitoral! Que Nossa Senhora nos acuda e salve o povo laico do papão do clericalismo!

E, pronto, o esquema sobre a posição dos partidos quanto às questões concernentes à vida e não só, desapareceu. Com certeza que se poderia ter feito melhor – mais temas e em relação a todos os partidos – mas a iniciativa merecia ter sido louvada e aperfeiçoada, em vez de censurada e suprimida. Está de parabéns o laicismo dominante, que quer uma Igreja amordaçada e confinada às sacristias, único reduto onde ainda permite a sua obscura existência.

As puríssimas virgens, que tanto se escandalizaram com o atrevimento dessa publicação num ‘site’ oficialmente católico, não ficaram, contudo, incomodadas com a ida, no passado dia 16 de Maio, de José Manuel Pureza à igreja do Campo Grande, para falar sobre a sua militância política no partido mais anticatólico de Portugal, porque defensor acérrimo de todas as mal-ditas causas fracturantes.

Apesar dessa conversa, integrada no ciclo “E Deus nisso tudo”, ter tido lugar dez dias antes das eleições e no espaço sagrado de um templo católico, ninguém se escandalizou. Nem sequer de ouvir........

© Observador