São José operário... ou empresário? |
Segundo o P. José Leite, SJ, “o 1º de Maio nascera, no calendário das festividades, sob o signo do ódio. Desde meados do século XIX, esta data identificara-se, na memória e imaginação de muitos, com as alamedas e as avenidas das grandes cidades cheias de multidões com os punhos cerrados. Era dia de greve geral total, em que o mundo dos proletários recordava à sociedade burguesa até que ponto tinha descido, à mercê do ódio dos explorados. E essa festa, a festa do ódio, da vingança social e da luta de classes, ia transformar-se por completo numa festa litúrgica”.
A celebração religiosa de São José Operário foi instituída no 1º de Maio de 1955. Nesse dia, compareceu em Roma uma “multidão alegre e simples, gritando formosos motes: ‘Viva Cristo trabalhador! Vivam todos os trabalhadores! Viva o Papa!’ Aquelas 200.000 pessoas sobrepunham-se ao velho latejo do ódio e de morte, substituindo-o por outro, o de ressurreição e de vida”, no dizer inspirado do referido jesuíta.
O contraste entre o ódio que é próprio das ideologias ateias e a caridade cristã foi sublinhado pelo Papa Pio XII, na alocução então proferida: “Quantas vezes nós manifestámos e explicámos o amor da Igreja para com os operários! Apesar disso, propaga-se muito a atroz calúnia de que ‘a Igreja é aliada do capitalismo contra os trabalhadores’. Ela, mãe e mestra de todos, teve sempre particular solicitude pelos filhos que se encontram em condições mais difíceis, e também, na realidade, contribuiu notavelmente para a consecução dos apreciáveis progressos obtidos por várias categorias de trabalhadores. Nós mesmo, na radiomensagem natalícia de 1942, dizíamos: ‘Movida sempre por motivos religiosos, a Igreja condenou os diversos sistemas do socialismo marxista e condena-os também hoje, sendo dever e direito seu permanente, preservar os homens das correntes e influxo que põem em perigo a........