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Pedofilia na Igreja: a luz ao fundo do túnel /premium

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23.03.2019

Há um nome que é de obrigatória referência quando se fala da luta da Igreja católica contra o abuso de menores por sacerdotes e religiosos: o do cardeal de Boston. Para além de capuchinho e arcebispo de uma das mais importantes dioceses norte-americanas, Sean O’Malley é também um dos principais conselheiros do Papa Francisco, a quem tem secundado nos seus esforços para erradicar da Igreja esta horrível praga.

No esteio do que já tinham feito os seus predecessores, sobretudo Bento XVI e São João Paulo II, o Papa Francisco empenhou-se, desde o início do seu pontificado, em resolver este horrível escândalo. Com este fim promoveu, no mês passado, uma cimeira no Vaticano sobre a proteção de menores na Igreja, em que foi dada voz às vítimas e em que participaram, entre outros bispos e superiores de ordens religiosas, os presidentes das conferências episcopais de todo o mundo, nomeadamente a portuguesa, presidida e representada pelo cardeal D. Manuel Clemente, patriarca de Lisboa.

Foi, portanto, em muito boa hora que a Conferência Episcopal Portuguesa convidou o cardeal Sean O’Malley para pregar o seu retiro anual. Esta ocasião foi aproveitada para o lançamento de mais um livro do cardeal de Boston: “Procura-se Amigos e Lavadores de pés”, que as Paulinas editaram e de que o Observador deu notícia na sua edição do passado dia 16.

Apesar de ser um tema recorrentemente referido nestas crónicas, não será excessivo a ele voltar, mais uma vez, para reafirmar o que sempre aqui se tem dito a este propósito, mas agora pela voz autorizada de um dos mais corajosos prelados da Igreja. Não obstante a sua condição cardinalícia, faz gala em se apresentar com o seu pobre hábito de capuchinho, que é eloquente sinal de pobreza e do seu modo tão autêntico e radical de testemunhar publicamente a sua consagração religiosa. Desde que assumiu responsabilidades episcopais, Frei Sean O’Malley sempre exigiu e praticou a total transparência em questões desta matéria, quando ainda não era essa a prática seguida por todo o episcopado. Foi também pioneiro em dar prioridade absoluta às vítimas e na responsabilização, civil e eclesial, dos culpados, qualquer que fosse o seu estatuto.

Os primeiros encargos pastorais de O’Malley foram com os imigrantes lusos e sul-americanos, na capital dos Estados Unidos. Vem desde então o seu excelente conhecimento da língua........

© Observador