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O testamento de Jesus Cristo /premium

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19.04.2019

Eu, Jesus de Nazaré, também chamado Cristo, filho de Maria, casada com José, da casa e família de David (Lc 1, 27), na iminência da minha morte, em voluntário sacrifício de obediência a meu Pai Deus, pela redenção da humanidade, determino ser minha última vontade dispor de mim mesmo e dos meus bens da forma que aqui determino.

Deixo, aos que foram traídos pelos seus familiares e amigos, o beijo que recebi de Judas Iscariotes (Mt 26, 47-56; Mc 14, 43-52; Lc 22, 47-53; Jo 18, 3-11), para que, do mesmo modo como eu, sabendo-o traidor, lhe lavei os pés, os saibam perdoar e amar.

Deixo aos juízes e advogados a minha inocência, para que a justiça triunfe sobre a iniquidade, nenhum inocente seja condenado e a todos, também os que foram justamente punidos, seja reconhecida a dignidade de quem é imagem e semelhança de Deus.

Deixo a troça de que fui alvo pela multidão (Mt 27, 39-44; Mc 15, 29-32; Lc 23, 35-37) a todos os que têm vergonha de ser meus discípulos e, por respeitos humanos, ocultam a sua condição de cristãos, para que compreendam que o escárnio dos ímpios é a homenagem que o vício presta à virtude.

Deixo a todos os que são injustiçados a mansidão com que acatei a iníqua sentença de Pôncio Pilatos que, sabendo-me inocente, me condenou à morte na Cruz.

Deixo o indulto de que beneficiou Barrabás, e que me era devido (Mt 27, 15-26; Mc 15, 6-15; Lc 23, 13-25; Jo 18, 39-40), a todos os que praticam a violência, para que se convertam à paz, que é condição para a felicidade terrena e eterna.

Deixo aos frívolos o silêncio com que respondi a Herodes, quando me pediu sinais que satisfizessem a sua vã curiosidade (Lc 23, 6-12), mas a que não acedi porque o seu desejo não era de uma sincera conversão, único caminho de salvação.

Deixo aos ricos a minha pobreza porque, sendo rico, me fiz pobre por amor dos pobres, para que todos os pobres fossem ricos pela minha pobreza (2Cor 8, 9).

Deixo........

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