Natal no Quarto 432 do Hospital |
Pois é, às vezes o Natal acontece onde menos se espera. Foi assim há 2025 anos, em Belém de Judá, no estábulo onde Jesus de Nazaré nasceu. Foi assim também no quarto 432 de um qualquer hospital, segundo um relato atribuído a Sir David Attenborough e que, si non è vero, è ben trovato.
A protagonista é Amara, uma rapariga de sete anos de idade, doente oncológica terminal. Ou talvez seja Mike, de 58 anos, motoqueiro que tem completamente tatuados os dois braços, barba até ao peito e é membro dos Defenders. Apesar de meter medo ao susto, é voluntário num hospital pediátrico, onde vai todas as quintas-feiras para ler livros infantis às crianças internadas. Depois de a neta de um dos Defenders ter estado internada, também no serviço de oncologia de um hospital pediátrico, há já quinze anos, vários dos membros do grupo assumiram este voluntariado.
Mike reconhece a estranheza que causa, inicialmente, a sua presença: “A maioria das crianças, no início, tem medo de mim. Eu percebo. Sou grande e barulhento e, por isso, parece que o meu lugar seria num filme sobre gangues de motas e não num hospital infantil. Mas, logo que começo a ler, elas esquecem-se da minha aparência e limitam-se a ouvir a história.”
Em relação a Amara, Mike recorda: “Entrei no quarto 432, em Março, numa quinta-feira à tarde. A enfermeira avisou-me que se tratava de uma nova paciente, de sete anos. Neuroblastoma, fase 4. Desde que tinha sido internada, havia três semanas, não tinha recebido nenhuma visita da família”. A enfermeira explicou: “Foi a mãe que a deixou aqui para tratamento, mas nunca mais cá voltou. Há semanas que estamos a tentar localizá-la, sem efeito. Amara não tem mais ninguém de família e, por isso, se ficar estável, terá de ser adoptada, ou enviada para um orfanato.” “E se ela........© Observador