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Jerusalém, a cidade três vezes santa /premium

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06.04.2019

No dia 30 de Março, por ocasião da sua visita a Marrocos, o Papa Francisco e o Rei Mohammed VI surpreenderam o mundo com uma declaração conjunta sobre Jerusalém, “cidade santa e lugar de encontro”.

Como é sabido, o Estado de Israel, invocando razões históricas, declarou unilateralmente Jerusalém como sua capital política, em substituição de Telavive. A decisão israelita foi recebida com reticências pela comunidade internacional que, por este motivo, não transferiu para Jerusalém as suas representações diplomáticas.

Contudo, a 6 de Dezembro de 2017, Donald Trump anunciou que a transferência da embaixada norte-americana em Israel para Jerusalém, que foi inaugurada a 14 de Maio de 2018. Mais recentemente, Bolsonaro, o actual presidente do Brasil, manifestou-se no mesmo sentido, como também os governantes da Guatemala e da Roménia.

Desde sempre, a Santa Sé respeitou os legítimos direitos de Israel e da população palestiniana, defendendo o carácter sui generis de Jerusalém, que é santa para as três grandes religiões monoteístas: judeus, cristãos e muçulmanos. Foi aliás apelando à “multirreligiosidade” da cidade que o Papa Francisco e o soberano alauita justificaram a sua tomada de posição sobre esta urbe, cuja “particular vocação” histórica obriga ao respeito pela sua “unidade e sacralidade”. No entendimento do chefe da Igreja católica e do monarca muçulmano, Jerusalém deveria ser uma cidade de paz para todos os crentes no Deus único, de acordo com a comum tradição abraâmica, em que as três religiões monoteístas se revêem.

Segundo o comunicado divulgado no passado dia 30 de Março e que, por não estar previsto no programa oficial da visita papal, constituiu uma surpresa para a comunidade internacional, o Papa Francisco e Mohammed VI consideram “importante preservar a Cidade Santa de Jerusalém/Al Qods Acharif como........

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