Um problema de copa
A pacatez do lugar contrasta com a voracidade dos comentários nos media e nas redes sociais. Uma escola que é memória de muitos — que nos seus pátios jogaram — é hoje falada por tantos que, se quisessem lá chegar, não saberiam que caminho percorrer.
Ao passar perto da porta, tudo parece igual. Os mesmos autocarros cheios de manhã, as mesmas mochilas às costas, os mesmos recreios onde se misturam vozes e risos. Mas, nos últimos tempos, há quem olhe para dentro dos Salesianos de Manique e veja outra coisa. Ou melhor, ache que vê: duas escolas dentro da mesma escola — dois mundos, um para “ricos”, outro para “pobres”.
A ideia espalhou-se depressa, sobretudo porque cabe numa frase simples e provocatória: “Comida para ricos e comida para pobres”. Fala-se de uma discriminação abjeta, de uma instituição que teria perdido os seus valores. Mas essa leitura não resiste a um olhar atento. A diferença social que ali existe não nasce de uma triagem económica. Nas turmas de contrato de associação, os alunos não chegam por rendimento, chegam por proximidade. São, por isso, o reflexo da zona envolvente — da freguesia de........
