PS tornou-se um verdadeiro Post Scriptum. Vem sempre depois
Há uma sigla na política portuguesa que, intencionalmente ou não, acabou por se ajustar à sua própria conduta histórica: o PS tornou-se um verdadeiro Post Scriptum. Vem sempre depois. Na gramática política nacional, o Partido Socialista aperfeiçoou uma arte curiosa: as suas decisões têm sempre autor na hora do aplauso, mas as consequências parecem nascer órfãs.
Em Portugal, a memória política é extraordinariamente curta. Bastam escassos anos na oposição para que quem governou o país durante quase uma década passe subitamente a comportar-se como um mero comentador da atualidade, despido de qualquer responsabilidade pelo estado em que deixou o edifício público. Sempre que os efeitos de uma opção política começam finalmente a revelar-se na sua plenitude, a narrativa muda. De repente, a decisão já não lhes pertence, a culpa passa a ser de quem governa no momento exato em que os problemas rebentam.
Vimo-lo no passado com a crise financeira. Pouco tempo após a queda do executivo de José Sócrates, o antigo primeiro-ministro passou a ser tratado como uma figura distante, quase desligada da identidade do próprio partido. Anos mais tarde, a máquina de propaganda conseguiu convencer muitos portugueses de que a austeridade tinha surgido por culpa de Pedro Passos Coelho, transferindo a culpa inteira para quem teve de executar o resgate financeiro e absolvendo quem conduziu o país até à bancarrota.
Hoje, assistimos exatamente ao mesmo fenómeno noutra matéria estrutural: a imigração. As profundas alterações à legislação da imigração e da nacionalidade, a extinção do........
