O Ouro do Abismo: quando a vontade de Albuquerque naufragou |
A 20 de novembro de 1511, algures na costa de Samatra, o mar não engoliu apenas uma nau de 400 toneladas. Engoliu o maior tesouro alguma vez reunido pela expansão europeia. A Flor de la Mar, a nau preferida de Afonso de Albuquerque, partiu-se em duas sob o peso do saque de Malaca. Com ela, afundou-se a liquidez de um império.
O “Fundo Soberano” no Fundo do Mar
Para compreendermos a magnitude da perda, temos de abandonar a ideia romântica do “tesouro pirata” e olhar para a Flor de la Mar como um Fundo Soberano de Emergência.
Estudos sugerem que a nau transportava cerca de 60 toneladas de ouro, além de joias maciças e tributos de reinos asiáticos. Em termos comparativos, não estávamos perante o lucro de um ano, mas perante a capitalização de uma era. Se hoje tentássemos converter esse valor, estaríamos a falar de algo na ordem dos 3 mil milhões de euros em ouro puro, sem contar com o valor incalculável das peças de arte e pedras preciosas. Economicamente, o naufrágio em Samatra foi o primeiro grande ‘cisne negro’ de Portugal. Contudo,........