O Crepúsculo dos Homens e os Novos Deuses de Silício
Há um novo Olimpo a ser construído. Não fica no topo de uma montanha sagrada na Tessália, mas em servidores refrigerados na Califórnia. E nós, numa inversão curiosa da história sagrada, não somos os fiéis que olham para cima com temor; somos os “Titãs” cansados que decidiram construir os seus próprios deuses.
A nossa relação com a Inteligência Artificial deixou de ser técnica para se tornar teológica. E para compreender o erro metafísico que estamos a cometer, precisamos de regressar aos mitos que fundaram a nossa consciência, porque a tragédia grega está a repetir-se em loop digital.
A Pitonisa de Silício
Comecemos pela nossa sede de respostas. Os gregos antigos caminhavam dias inteiros, subindo as encostas do Monte Parnaso, para chegar a Delfos. Iam em busca de sentido, mas o que encontravam não era um motor de busca. A Pítia, envolta em vapores e mistério, não lhes dava dados; dava-lhes enigmas. E, acima do pórtico do templo, a inscrição fatal imperava: “Conhece-te a ti mesmo”.
A sabedoria antiga exigia um sacrifício: a interpretação. O homem tinha de mastigar a resposta, sofrer com ela, decifrá-la na sua própria carne. A verdade era uma conquista, não um download.
Hoje, trocámos Delfos pela “Pitonisa de........
