Calvário do Século XXI: silêncio sobre a perseguição cristã

À medida que nos aproximamos da Páscoa, o momento mais alto do calendário cristão, a narrativa da Ressurreição confronta-se com uma realidade crua e, para muitos, inconveniente: a “crucificação” sistemática de milhões de crentes em pleno ano de 2026. Falar de perseguição religiosa hoje exige coragem para evitar o “concurso mediático” de vitimização, mas exige, acima de tudo, o rigor de admitir que os cristãos são, atualmente, o grupo mais perseguido do planeta.

Das Catacumbas ao Eixo do Mundo

O Cristianismo não nasceu nos palácios, mas nas margens e nas catacumbas. Surgiu como uma seita dissidente no Império Romano, pregando uma dignidade humana que chocava com as hierarquias da época. Ao longo de dois milénios, esta fé transformou-se na espinha dorsal do Ocidente. De um pequeno grupo de apóstolos, tornou-se uma força de 2,6 mil milhões de pessoas.

No entanto, este percurso não foi uma linha reta de santidade. Para contar a história “de uma porta à outra”, temos de ter a honestidade intelectual de olhar para o que de mal se fez em nome da fé.

De Religião Perseguida a Eixo da Civilização 

É impossível compreender a dimensão do Cristianismo sem olhar para o momento em que a Cruz se cruzou com a Águia Imperial. Quando, no século IV, o Império Romano adotou o Cristianismo, primeiro com a tolerância de Constantino e depois como religião oficial com Teodósio, a fé cristã ganhou uma projeção sem precedentes. Roma deu ao Cristianismo a sua língua, o seu direito e as suas estradas, transformando uma mensagem espiritual........

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