25 de Abril: uma Anatomia da Liberdade
O 25 de Abril não é apenas uma data. É uma fundação. E como qualquer construção, não vive da memória, vive dos pilares que a sustentam.
Celebrar Abril repetindo slogans é fácil. Mais difícil é fazer o exercício essencial: perceber se aquilo que foi conquistado ainda se mantém de pé. Porque a liberdade não desaparece de um dia para o outro. Desgasta-se. E, muitas vezes, degrada-se sem que demos por isso.
Se quisermos compreender o que ainda resta, e o que já se perdeu, talvez seja útil olhar para a liberdade como aquilo que sempre foi: uma estrutura. E toda a estrutura assenta em pilares.
O que é, afinal, ser livre?
Abril prometeu liberdade. Mas o que significa isso, na prática?
Ser livre não é apenas viver sem censura ou sem polícia política. É ter capacidade real de escolha. É poder construir um caminho sem que esse caminho esteja, à partida, condicionado por dependências invisíveis.
A pergunta incómoda é simples, até que ponto a nossa liberdade é hoje substantiva, e não apenas formal? Quando o indivíduo depende estruturalmente do Estado, quando a autonomia é trocada por segurança, a liberdade mantém-se, mas transforma-se. Torna-se mais confortável, mas também mais limitada.
Como sabemos que somos livres?
A liberdade vive da verdade. Não há escolha sem informação.
Abril trouxe uma imprensa livre e plural. Mas a liberdade de expressão não se mede apenas pela ausência de censura formal, mede-se pela diversidade real de pensamento.
Num tempo dominado por narrativas rápidas, redes sociais e consensos fabricados, a pergunta torna-se mais complexa: Estamos mais informados ou apenas mais expostos? Sabemos mais, ou apenas ouvimos........
