Chineses em Cabul com um cardápio explosivo |
Há atentados que matam pessoas. E há atentados que matam uma promessa. Quando o Estado Islâmico no Afeganistão decide atingir a comunidade chinesa, não está apenas a procurar vítimas. Está a atacar a narrativa que os talibãs vendem desde 2021: “há ordem”, “há controlo”, “o país estabilizou”. E está a testar, com sangue, se a China consegue fazer o que o Ocidente não conseguiu: viver no Afeganistão sem pagar o preço.
O alvo é escolhido com frieza. Um restaurante, um hotel, um local conhecido por receber chineses. Um gesto de vida normal, transformado em palco. E a mensagem é simples, quase insultuosa: não há bolhas seguras, não há enclaves protegidos, não há “zona verde” que resista quando a violência quer ser vista.
A China entrou no Afeganistão com um argumento sedutor e pragmático. Não para dar lições, não para construir instituições, não para exportar modelos políticos. Entrou para fazer negócios, abrir portas, ganhar acesso a recursos e redesenhar rotas. Ao lado disso, uma expectativa não escrita: os talibãs garantem segurança; Pequim traz dinheiro e uma espécie de normalização.
O Estado Islâmico quer rebentar essa equação, literalmente.
Porque percebeu uma coisa que muitos analistas fingem não ver: o investimento chinês é um dos poucos balões de oxigénio possíveis para o Emirado. É uma promessa de receita, infraestruturas, reconhecimento gradual, e uma janela........