menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

A saúde que não se vê

14 0
02.10.2026

A saúde é, provavelmente, o serviço público que os portugueses mais valorizam. E é também um dos mais caros. Nos últimos dez anos, a despesa do Serviço Nacional de Saúde cresceu 72%. Hoje, o Estado gasta com a saúde um valor equivalente a praticamente toda a receita do imposto sobre o rendimento das pessoas singulares (IRS), cerca de dezasseis mil milhões de euros. Ainda assim, não é suficiente: apesar de todo este esforço, o SNS fechou 2025 com um défice de mais de mil milhões de euros, muito acima do previsto.

A este esforço coletivo soma-se outro, individual. O número de pessoas com seguro de saúde mais do que duplicou em duas décadas, e, só em 2024, os prémios subiram quase 19%. Muitos portugueses, além dos impostos que já financiam o SNS, pagam ainda do próprio bolso à procura da resposta rápida que o sistema nem sempre dá. Gastamos mais, coletiva e individualmente. E, no entanto, a perceção pública sobre a qualidade do sistema não evoluiu de igual forma. Alguma coisa está errada nesta equação.

Falamos há anos de reformas estruturais, de pactos de regime, das maiorias necessárias para as fazer. Mas há uma revolução em curso, silenciosa, que não precisa de grandes reformas nem de longos consensos parlamentares. Precisa apenas de que olhemos para onde quase nunca olhamos: não apenas para os médicos, para os medicamentos ou para as camas, mas para a infraestrutura que amplifica o que todos eles conseguem fazer, tornando a prestação de cuidados mais rápida, mais fiável e mais eficiente. É aí, no que não se vê, que a indústria eletrodigital está a transformar a saúde.

Comecemos pelo edifício. Quando o Estado constrói ou contrata um hospital, olha quase sempre para o custo da obra, para o investimento inicial, o CAPEX. Mas o custo de construção é, tipicamente, apenas cerca de 30% do........

© Observador