Razões de descontentamento
Depois de oito anos de Governos do Partido Socialista, o que boa parte do país esperava era uma ambição política diferente, mais do que uma mera alternância de gestão. Insisti nesse assunto ao longo do reinado de Rui Rio, que se apresentava constantemente a eleições como mero elemento de alternância face a António Costa, quando entendia que era suposto, expectável até, que o grande espaço da Aliança Democrática constituísse uma alternativa substantiva ao statu quo socializante em que o país mergulhou. Luís Montenegro não divergiu de Rui Rio, talvez tenha mesmo acabado apenas por beneficiar de ter chegado a eleições com o PS já estafado de quase uma década de governação, e desacreditado pela forma humilhante como viu uma maioria absoluta dissolver-se, entre dinheiro escondido em caixas de vinho e um Primeiro-ministro ardentemente ansioso por abandonar o Governo e sentar-se em Bruxelas.
Não duvido da vontade reformista de muitos dos membros do Governo, devo dizer. Mas como os ministros não têm política própria, e como vivemos numa espécie de chancelaria do Primeiro-ministro, é deste que se aguarda a liderança política e é a ele exclusivamente que se devem imputar responsabilidades a este nível. Ora, o que vai parecendo cada vez mais inequívoco é que o PSD em que se formou Luís Montenegro se foi........
