O silêncio demográfico e o grito cultural

O Instituto Nacional de Estatística publicou as Estatísticas Vitais relativas ao ano de 2025: as mortes continuam superiores aos nascimentos. Nasceram mais crianças do que em 2024, mas, face ao aumento da mortalidade, a tendência da redução populacional permanece evidente. Simultaneamente, sabe-se que um terço de todos os bebés nascidos em 2025 têm mães nascidas fora de Portugal, facto que talvez explique a razão pela qual a região da Grande Lisboa continua a ser a única do País em que os nascimentos são superiores às mortes. Pelo resto do território, o desaparecimento vai sendo suave, mas constante.

A baixa natalidade é uma questão já antiga, mas não foi sempre tida como um problema, ou pelo menos não o foi de forma unânime. Portugal tem, há vários anos, uma das mais baixas taxas de fecundidade da Europa; há praticamente três décadas que os dados apontam na direcção da falta de crianças, do envelhecimento populacional e de bases contributivas mais estreitas. Não se pode dizer que estejamos a ser apanhados de surpresa. Em 2007, Cavaco Silva era Presidente da República e, usando da autoridade da chefia do Estado, abordava o tema, salientando que «algo está errado num povo que não cuida da sua continuidade», e perguntava: «Porque é que nascem tão poucas crianças? O que é preciso fazer para que nasçam mais crianças em Portugal?». Já lá vão quase........

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