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O Rei vai nu

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tuesday

Quando era miúdo, pelos meus 7 ou 8 anos, desenvolvi um fascínio, que, confesso, mantenho até hoje, por jornais e rádio. A dada altura inventei um jornal da rua, que teve apenas uma edição e um leitor – eu. Passava horas a simular relatos de futebol ou a ler notícias em voz alta para um gravador de cassetes que depois me divertia a ouvir e a tentar aperfeiçoar – por exemplo, era absurdo relatar “Paneira toca para Futre”, quando à partida jogariam os dois em alas opostas. Por alguma razão, nunca tive o mesmo encanto pelo jornalismo televisivo. É certo que o telejornal era um ritual, mas tudo aquilo me parecia demasiado aborrecido quando comparado com a rádio. Televisão era, para mim, exclusivamente entretenimento, séries, filmes, desenhos animados, todo o género de desportos, telenovelas, talk shows, programas de música. O telejornal era um ritual que complementava o jornal em papel que se lia no café ou em casa. O leitor, julgo, sabe já que eu não sou propriamente conhecido por ser um visionário, e houve quem tivesse percebido, quando eu ainda nem nascido era, mas em Portugal só anos depois, que também a informação podia ser entretenimento. E aqui estamos, comigo perfeitamente rendido e aficionado: não há hoje melhor novela do que um canal de notícias. E a receita não é particularmente difícil de seguir.

Se estivermos em Janeiro, podemos fazer uns directos à porta de uns hospitais. Há gripe, infecções respiratórias, ambulâncias, pelo que se pode facilmente gerar um «caos nas urgências». Ao mesmo tempo, se estiver mesmo muito frio, como normalmente está em Janeiro, podemos também aproveitar e encher a grelha com as alterações climáticas. Enchem-se os estúdios com sindicalistas, médicos, enfermeiros, presidentes de comissões de utentes, meteorologistas, climatologistas, e algum presidente de Câmara, porque é sempre uma boa altura para recuperar este ou aquele hospital que está prometido há cerca........

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