Justiça poética e o vazio
Começou com 6% nas sondagens, lembram-se? Sem o apoio do seu próprio partido, que chegou tarde e titubeante. Contra a vontade do Governo, do líder da oposição, de grande parte do PS e até do presidente do Conselho Europeu e de boa parte dos seus apaniguados, que correram para os braços de Gouveia e Melo ou que iam deixando atrás de si um rasto de dúvida e hesitação. Seguro era a esquerda de que a direita gostava. O que se tinha colado aos temíveis “passistas”, como noticiou o Expresso nas vésperas de o PS decidir se o apoiava ou não. Ganhou a primeira volta deixando para trás o líder da oposição e dois candidatos que um ano antes eram dados como favoritos. Acaba Presidente com mais votos do que Eanes em 1976 e 1980. Com mais votos do que Soares em 1986 e 1991. Com mais votos do que Sampaio em 1996 e 2001, do que Cavaco em 2006 e 2011, e do que Marcelo em 2016 e 2021. É o Presidente da República eleito com o maior número de votos de sempre. Ganhou todos os distritos. Ganhou a cintura industrial, o Alentejo, o Algarve, onde Ventura se consolidou. Ganhou mesmo nos distritos afectados pela tempestade, onde Ventura apelou ao sentimento. Não........
