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Geringonça de derrotados?

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24.02.2026

Francisco Mendes da Silva ensaiou, em dois artigos, no Público, uma teoria da conspiração, onde simpaticamente e por amizade, que aqui retribuo, me inclui. Confesso que tenho sempre uma certa ternura por quem acredita saber o que eu penso melhor do que eu próprio, como se uma espécie de espiritismo político convocasse a alma dos outros – uma espécie de falácia do espantalho esotérica.

Comecemos pelo mais divertido: a ideia de que os “passistas” que apoiam António José Seguro o fazem como quem joga xadrez em três tabuleiros, pensando já na futura união das direitas, na queda de Montenegro, no regresso de Passos Coelho à vida política e, quem sabe, na meteorologia de 2029. A tese é sofisticada, e nem seria de esperar outra coisa. Portanto, um grupo organizado de apoiantes de Passos Coelho, suponho que a mando deste, resolveu apoiar Seguro na eleição presidencial, e estaríamos condicionados na crítica a Ventura porque o que queremos, no fundo, é um Governo PSD/Chega liderado pelo antigo Primeiro-ministro, eventualmente por via indirecta, preferencialmente sem eleições, idealmente com intervenção presidencial cirúrgica e um Ministério Público a funcionar como um relojoeiro suíço.

Sucede que esta teoria assenta em conspiração de quem a lança, e não em factos dados pelos visados. Em primeiro lugar, porque nunca existiu nenhum grupo de “passistas”. Essa expressão foi inventada pelo Expresso e não pretendeu outra coisa que não condicionar o apoio do PS ao actual Presidente da República eleito. Em segundo lugar, e porque posso apenas falar por mim, não apoiei Seguro para preparar alianças futuras ou para alinhar em projectos conspiracionistas que, se existem, os desconheço. Apoiei Seguro porque considerei, e considero, que era ele a melhor escolha institucional para a Presidência da República. O candidato apoiado pelo Francisco, na primeira volta, ficou em quinto lugar: seguindo a linha argumentativa apresentada, o eleitorado da AD que rejeitou largamente Marques Mendes também é capaz de andar a conspirar pelos cafés deste país.

A tese........

© Observador