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Exijam ter um Primeiro-ministro

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10.03.2026

Na hora da despedida de Marcelo Rebelo de Sousa, o País político não escondeu um facto inegável: de certa forma, Marcelo venceu. Não deixa um legado substantivo enquanto Presidente, mas antes uma herança que o antecede no exercício do cargo. Marcelo triunfou depois de anos como comentador político, função que cumpriu com zelo e diligência em Belém. Sucede que o comentário político marcelista nunca foi substantivo. Depois de cinquenta anos de frequência contínua e assídua do espaço público, liderando audiências, opinando sobre tudo, não sobra de Marcelo uma ideia. Tornou-se uma presença constante, uma sombra permanente sobre a política portuguesa, deixando a todo o tempo a sua visão não sobre o conteúdo das políticas, mas sobre a forma como os actores políticos poderiam ou não ser interpretados pelos portugueses em função daquilo que diziam, quando diziam, como diziam, a que horas diziam. O País político, dos novos protagonistas ao jornalismo e ao comentariado, seguiu-lhe os passos e parece, hoje, só conseguir olhar para a política sob a marcelista forma. Só isso pode justificar o deslumbramento com que durante........

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