Eu apoio, tu apoias

A oligarquia do PS detesta-o, e engole agora um sapo do tamanho de António Costa (não sei, aliás, se repararam como Costa, do alto da cadeira do Conselho Europeu, optou deliberadamente por não se pronunciar na primeira volta, quando os votos de esquerda faziam falta a Seguro, e resolveu vir a terreiro exibindo o seu voto quando Seguro precisa de alargar a sua base eleitoral à direita, que detesta Costa; um verme é um verme que é um verme). A extrema-esquerda e a esquerda radical detestam-no, não o consideram um socialista, não vêem nele a esquerda que gostariam, acusam-no de ter sido cúmplice de Passos Coelho e da troïka. Lembram-se do que diziam dele Augusto Santos Silva, Mariana Vieira da Silva, Manuel Pizarro, Alexandra Leitão, entre outros? Ou da célebre notícia sobre o temível “jantar de passistas que apoiam Seguro”, noticiado nas vésperas de o PS decidir se o apoiava ou não? Por outro lado, a direita que agora se rendeu a Seguro, por instinto de sobrevivência ou reacção, ainda há pouco mais de uma semana o acusava de ser um socialista, cúmplice de Sócrates e Costa. Ventura tenta agora o mesmo truque, vendo em Seguro o isco de que precisa para ganhar não as presidenciais, mas a sua luta pela liderança do espaço da direita. Tenho pena, mas não estou disponível para nada disto.

Tenho para mim como certo que a esquerda à esquerda do PS abomina Seguro por razões certeiras, que me fizeram........

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