Cargo lasso – não repara, nem substitui
A política portuguesa dos últimos anos habituou-se a funcionar ao contrário dos anúncios que garantem resoluções rápidas e eficazes. Estamos viciados no impasse permanente, nesta tripartidarização aparentemente sem solução à vista, em que os bloqueios são mútuos e acabam, não raras vezes, por conduzir à situação absurda em que, apesar de existir um Governo formado, quem governa de facto são os outros dois, muitas vezes em oposição ao programa do próprio Governo.
Nos últimos tempos, tornou-se quase um desporto nacional, uma espécie de Casa dos Degredos da política, assistir à incapacidade dos partidos, da oposição ao Governo, para preencher cargos essenciais do Estado. Juízes do Tribunal Constitucional, Provedor de Justiça, membros do Conselho de Estado, até a direcção nacional da Polícia Judiciária, tudo parece ir-se arrastando, sem decisões à vista, e com muita discussão iníqua pelo meio.
Há dias, na RTP, o filho de Carlos César explicava, a propósito do debate sobre os juízes do Tribunal Constitucional, que «se nós tivéssemos juízes com interpretação de direita passista durante a época da troïka, nós tínhamos tido........
