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"Pole pole"

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11.08.2026

Como todos aqueles que passam pela estúpida adolescência e descendem de agricultores semi ou totalmente analfabetos, eu também já tive a arrogância de julgar, por ter vivido sempre na cidade, por ter estudado e por ter uma vida que em nada se compara à dos meus avós, que sabia mais que aqueles a quem os que ainda mais sobranceiros que eu tratam por povo. Não há nada, na verdade, mais repugnante na intelectualidade, na política ou no radar mediático, do que a frasezinha que inclui a expressão povo. O povo, tão fofo, que nada sabe e que de tudo precisa, incluindo da suposta lucidez de algum outro estúpido autoproclamado brilhante, para não ser enganado por quem pretende abusar dele ou fazer dele bandeira. O povo, afinal, é estandarte de toda a gente, uma muleta que serve essencialmente para fazer distinguir positivamente aquele que, por alguma razão, se destaca desse mesmo povo, como uma superioridade anunciada totalmente carente de justificação. Antes houvesse, mas não há, de facto, menos estúpidos, menos broncos ou menos intelectualmente brutos naquilo a que se chama povo do que há naquilo a que se chama elite. Haverá nesta também autoproclamada elite lisboeta, nalguns casos mais felizes por jeito ou por hereditariedade, a........

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