Dois anos de controlo de rendas na Catalunha |
Há ideias que sobrevivem não porque funcionam, mas porque são moralmente reconfortantes. O controlo de rendas é uma delas. Politicamente sedutor, especialmente para a esquerda ideológica, mas intelectualmente frágil e economicamente previsível. Sempre que é aplicado, produz exatamente o mesmo resultado: menos casas disponíveis, mais distorções no mercado e uma corrida ainda mais desesperada por quem procura um lugar para viver.
Dois anos depois da declaração de “zonas de mercado residencial em stress” em mais de duas centenas de municípios da Catalunha incluindo Barcelona e praticamente toda a sua área metropolitana, já é possível olhar para os dados com alguma frieza. Não estou surpreendido.
Os números contam uma história pouco confortável para quem acredita que decretos administrativos podem substituir a oferta real de habitação. A intenção política foi simples e procurou limitar a subida das rendas e proteger inquilinos sem a mínima noção de como funciona o mercado e arrisco dizer, o mundo. A realidade foi mais complexa mas também bastante previsível.
O primeiro efeito foi imediato. A oferta de arrendamento permanente caiu a pique. Em Barcelona, por exemplo, o número de casas disponíveis para contratos de longa duração caiu mais de 50% desde o início da medida. Ao mesmo tempo, o mercado reagiu da única forma que os mercados sabem reagir quando confrontados com preços artificialmente limitados, que foi procurar alternativas. Relembro que “os mercados” não são invenções, o mercado são literalmente “todas as pessoas”.
Os proprietários não desapareceram e as casas também não. O que desapareceu foi o arrendamento tradicional. Porquê? Porque não vale a pena. Grande parte do stock migrou para arrendamentos temporários, contratos de curta duração ou até........