Perder a cabeça
A vida de um líder da oposição não é fácil. Mais difícil se torna quando nem sequer se lidera formalmente a oposição. Todos os que passaram pelo lugar mais ingrato da política portuguesa conhecem bem a sensação e poucos sobreviveram muito tempo nessa travessia do deserto. O padrão tem sido um: ou chegam rápido ao poder, ou kaput.
Cavaco chegou a primeiro-ministro num esfregar de olhos (seis meses entre a conquista do partido e a vitória nas legislativas). Guterres aguentou três difíceis anos, mas teve uma importante vitória autárquica e o cavaquismo já estava em fim de festa. Durão Barroso também demorou três anos, mas apanhou os cacos de Marcelo e ainda infligiu ao PS uma derrota moral nas autárquicas de 2001. Sócrates demorou cinco meses, Passos sensivelmente um ano, o mesmo que Costa. Montenegro demorou dois anos a chegar ao poder, e, quando o fez, nas circunstâncias conhecidas, já era contestado internamente.
Existe, portanto, um enorme conjunto de ilustres notáveis que foram ficando pelo caminho, quase sempre às mãos do próprio partido, quase sempre sem deixar grande saudade como líderes. No PS, Sampaio, Ferro, Seguro e Pedro Nuno; no PSD, Nogueira, Marcelo, Mendes, Menezes, Ferreira Leite e Rio, este último um verdadeiro caso de resiliência interna nunca acompanhada pelos resultados nas urnas — Santana é um exemplo diferente, pela forma como chegou ao cargo de primeiro-ministro e depois o perdeu.
Este é o retrato da realidade e a........
