Passos pode ter perdido vencendo |
Pedro Passos Coelho é um dos grandes vencedores destas eleições presidenciais. Por várias razões. A mais evidente: o seu silêncio tornou-se um dos temas principais da campanha e ajudou a detonar a já frágil candidatura de Luís Marques Mendes. Passos é o grande vilão do montenegrismo; Mendes era o candidato do montenegrismo; Mendes e o montenegrismo foram copiosamente derrotados nestas eleições presidenciais; Passos, que há muito tornou claro que não quer ter nada que ver com este PSD, ganhou. Ponto final, parágrafo.
Aconteça o que acontecer a 8 de fevereiro, a autoridade de Luís Montenegro saiu comprometida destas presidenciais. O Governo, penhorado de forma muito pouco prudente e razoável ao longo de 15 dias, foi também ele severamente castigado. A ideia da estabilidade pela estabilidade foi chumbada nas urnas. A perspetiva de ter Seguro em Belém não é a mais brilhante para o Governo. A ideia de ter Ventura como Presidente é aterradora para o mesmo Governo. Por muitas voltas que se dê, o clima de festa do montenegrismo parece ter acabado.
É um ferimento grave, mas não necessariamente fatal — também o minoritário Aníbal Cavaco Silva saiu de uma derrota dura de encaixar nas presidenciais de 1986 para uma maioria absoluta em ’87. Além disso, é preciso ter cuidado com algumas precipitações. Ainda há meia dúzia de meses, a AD arrancou uma vitória confortável nas autárquicas. Antes disso, tinha conseguido um triunfo expressivo e muito relevante nas legislativas. Caberá a Luís Montenegro encontrar uma saída para o labirinto em que se perdeu nestas presidenciais. É difícil, mas não é impossível.
Agora voltando a Passos. Se ou........