menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

O risco da desesperança

21 0
08.09.2026

Nos últimos 40 anos, só por duas vezes um primeiro-ministro em funções perdeu eleições legislativas: Pedro Santana Lopes, sete meses depois de ter assumido um cargo para o qual não tinha sido eleito; e José Sócrates, na terceira vez que se candidatou e quando o país estava já muito perto do colapso. Ou seja, diz-nos a tradição que um primeiro-ministro só é derrotado em condições absolutamente excecionais, praticamente irrepetíveis. Desejavelmente irrepetíveis. A tendência, aliás, é que o primeiro-ministro candidato saia reforçado nas urnas — Cavaco, Guterres, Costa e Montenegro conseguiram-no; Sócrates não conseguiu e Passos, não tendo sido derrotado, perdeu votos.

Ora, este conservadorismo dos eleitores portugueses, a resistência à mudança e a tendência natural pela continuidade, é uma excelente notícia para Luís Montenegro. Será justo dizer que, olhando para o padrão que se estabeleceu desde Aníbal Cavaco Silva, só um cataclismo faria com que Luís Montenegro perdesse as próximas legislativas. Ainda que seja importante não desconsiderar um elemento muito difícil de medir por ser um fenómeno relativamente novo na democracia portuguesa: o potencial eleitoral de André Ventura, líder de um partido que, sete anos depois de ter sido criado, conseguiu dinamitar o bipartidarismo.

Admitindo que a tradição se mantém e que o padrão se cumpre, o que não é líquido, a questão é se o líder social-democrata quer ‘apenas’ vencer as próximas eleições. Olhando para aquilo que Montenegro vai dizendo e para aquilo que o próprio inscreveu como compromisso na sua recandidatura à liderança do PSD, o........

© Observador