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Oiça lá, Ó Senhor νïηπσ... Bispo

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17.06.2026

Fui ver o novo filme do Steven Spielberg. A escolha não foi minha, mas nada como ouvir quem sabe, porque vi um dos filmes de que mais gostei nos últimos tempos e talvez um dos melhores do realizador. Sem estragar as surpresas, o filme foi anunciado como um regresso de Spielberg à ficção científica, e a divulgação leva-nos a pensar que é algo do tipo “Eles sempre estiveram entre nós”. Só que o realizador deixou-se há muito de fazer apenas entretenimento, e uma anunciada ficção especulativa é, afinal, uma bomba refletora que se veste de fantasia para nos confrontar connosco. O Dia da Revelação não é sobre extraterrestres, é sobre pessoas, e o que elas fazem umas às outras por medo de ameaças exteriores, e o que fazem às ameaças exteriores por acreditarem que elas, pessoas, é que são boas e pacíficas. Ou, usando as palavras tão sábias de D. José Miguel Pereira, o Bispo da Guarda, porque “só nós, seres humanos, temos coração, no sentido usado por Nossa Senhora: esse lugar onde o espírito encontra a luz de sentido dos acontecimentos e da vida”.

Falo de D. José Miguel Pereira porque, justamente na manhã antes de ir ver o ótimo filme de que falei, e que recomendo, li uma notícia que não recomendava a ninguém, em que o bispo da Guarda critica a nossa sociedade, que “tende a humanizar os animais, especialmente os de estimação com os quais estabelecemos relações de afeto”.

Estamos mal. 2026 está a ser o ano em que acontece quase tudo e, por obra e graça de Murphy e da sua lei, não é quase tudo de bom. Mas, enfim, o ano vai a meio e pode ser que isto ainda dê a volta. O certo é que os nossos animais de companhia estão a ter, em 2026, o seu “ano que ninguém quer”.

Primeiro foi o Orelha, um cão comunitário que morreu em agonia depois de ser torturado por um grupo de adolescentes. Alegadamente, disse a lei brasileira, antes de pedir o arquivamento do caso. Não é certo se esses assassinos (dotados de coração no sentido que o bispo da Guarda........

© Observador