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Não basta trabalhar: “o Luís” tem de correr

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12.09.2026

A nossa classe política vai para a cama todas as noites e adormece sem precisar de contar carneirinhos, embalada por um pensamento tranquilizador: por mais que André Ventura berre e esperneie, ele nunca — nunca, jamais, em tempo algum — chegará ao poder. Esta convicção baseia-se em dois mandamentos, inscritos em pedra, que podiam ter sido trazidos por Moisés do Monte Sinai. Primeiro mandamento: os eleitores do Chega votam em André Ventura para ele protestar, mas nunca votariam nele para governar. Segundo mandamento: entre os portugueses, a taxa de rejeição a Ventura é tão estratosférica que impedirá sempre que ele reúna os votos suficientes para entrar no palacete de São Bento com a bandeira do Chega na mão. Não pretendendo tirar o sono a ninguém, convém assinalar que tudo isto, obviamente, é um misto de ilusão e ignorância de quem acha que o mundo começa no Cabo da Roca e acaba em Paradela.

É inegável: neste momento, uma parte substancial da mobilização de voto no Chega tem como combustível o protesto. Mas as duas palavras mais importantes........

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