O dia em que o liberalismo morreu
À superfície, e ouvindo os seus principais agentes políticos, as sociedades europeias ainda se regem por grandes consensos. Não falo aqui, evidentemente, dos “consensos” de trazer por casa como os que são invocados a propósito das necessárias mudanças do SNS ou da mais recente iniciativa para reconstruir o centro do País da calamidade a que foi sujeito, o ainda por nascer PTRR. Falo dos consensos fundamentais, constitucionais – civilizacionais em alguma medida. Por enquanto parece que todos, sem excepção, e apesar da “polarização”, ainda valorizam as maravilhas que as sociedades europeias operaram e levaram ao mundo: o Estado de Direito, o regime das liberdades, incluindo a liberdade de consciência e de expressão, a escolha livre dos governantes, o escrutínio do poder, os direitos individuais, a igualdade das mulheres, a prosperidade material, a erradicação da pobreza e uma lista de transformações infindável sem quaisquer precedentes na história da Humanidade.
Mas arranha-se a superfície e descobre-se que esses consensos estão perigosamente a desmoronar-se. É verdade que ouvimos os protagonistas de um extremo da esquerda até ao outro da direita, passando por todos os pontos intermédios, e não há um que não reivindique estas benfeitorias. Aparentemente, só criticam o estado de coisas na medida em que querem mais, não menos, delas. Sucede que todas estas........
