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Escassez e abundância

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26.07.2026

Foi numa recente, e muito comentada, entrevista à revista The Economist que Musk fez uma observação que espantou a entrevistadora, a editora da publicação, Zanny Minton Beddoes. A entrevista provocou a controvérsia do costume que, admito, já não tenho paciência para acompanhar. A pobreza dos lugares-comuns e a evidente má-fé de muitos dos indigentes que comentam as intervenções de Musk não merecem um segundo do meu tempo. Não quer isto converter o que o homem diz em pérolas de sabedoria oracular, mas as recorrentes acusações de “nazismo”, “extremismo” e outras maravilhas que classificam cada opinião que Musk dá, e que contraria os guardiões das nossas consciências, revelam mais sobre os acusadores do que sobre ele. De qualquer modo, não me interessam as opiniões de Musk sobre política ou sobre geopolítica, assim como sobre outros temas que tanto excitam a imaginação e o ódio de quem cuida da nossa educação colectiva. Mas há um campo onde as opiniões dele brotam de uma familiaridade da linha da frente do conhecimento num certo domínio. Essas convém não desprezar.

Entre outras coisas, a conversa versou a revolução tecnológica que nos foi dado testemunhar e, tanto quanto nos for possível, absorver sem nos destruirmos no caminho. Refiro-me, evidentemente, à revolução da inteligência artificial em conjugação com a revolução na robótica. Ambas são inseparáveis. E os efeitos de uma delas só podem ser compreendidos e, na medida do possível, previstos se a conjugarmos com a outra. Já tenho escrito sobre este novo mundo que se vai inaugurando neste espaço do Observador. Desta vez, quero concentrar-me num momento revelador das........

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