A Igreja no mundo |
Praticamente desde a sua fundação que a Igreja foi acusada pelos seus detractores de ser uma força de despolitização e, por essa via, de dissolução das comunidades políticas. Ao caracterizar o cristão como peregrino e, assim, fundamentalmente estrangeiro no mundo temporal, a Igreja indicava o caminho para a verdadeira pátria no céu. A incomensurabilidade do valor da vida eterna desvalorizava radicalmente a vida terrena e, com ela, a condição política que lhe era natural. Nos primeiros séculos da sua existência histórica, cresceu, pois, uma considerável indiferença da Igreja face aos assuntos políticos, alheando-a das condições e imperativos particulares da vida política.
Apesar das responsabilidades políticas de governação directa que a Igreja teve de assumir com a queda do Império romano do Ocidente e consequente colapso civilizacional, os inimigos da Igreja nunca se esqueceriam da crítica mortal à importância social e política dessa “sociedade” nova que não se confundia com as restantes. De facto, a comunidade da Igreja era bizarra porque não era deste mundo, tendo sido fundada por Deus com o propósito de cumprir uma missão sobrenatural. Mas, ao mesmo tempo, e confundindo cristãos e não-cristãos ela estava forçosamente no meio do mundo, metendo-se em todo o tipo de relações que os humanos........