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A crise da esquerda

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22.02.2026

A vitória de Takaichi no Japão com base numa plataforma explicitamente conservadora apareceu como mais um episódio da viragem à direita naquela parte do mundo que organiza eleições livres para escolher o seu governo. Nos últimos 12 meses, da América Latina à Tailândia, os partidos conservadores e a direita populista têm somado vitórias que não podem ser ignoradas. Evidentemente, esta contabilidade é sempre precária porque muitos resultados eleitorais dependem da prestação dos governos e de episódios idiossincráticos nacionais sem dar azo a qualquer leitura “global”. Mais, teremos eleições num horizonte próximo que podem contradizer esta tendência, como as presidenciais no Brasil (provavelmente) ou as legislativas na Suécia (muito pouco provavelmente). Seja como for, é patente que a esquerda se encontra numa crise profunda.

Essa crise é, sobretudo, intelectual. Podemos lamentar a escassez de lideranças, a esqualidez moral ou os azares nas contingências históricas, mas tudo isso é, de certa forma, acidental. Mais grave e difícil de ultrapassar está a aridez e as contradições das ideias da........

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