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A necessidade de acreditar e a morte da Ciência

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17.06.2019

Uma questão pertinente, a qual engloba várias variáveis, é como pessoas que vivem no mesmo século, frequentam um sistema de ensino maioritariamente idêntico, com acesso fácil a informação correta, podem ser tão díspares no seu conhecimento e no que sabem ou decidem acreditar?

À nascença, o bebé em conjunto com a mãe, ambos entram numa dança afetiva mutua, para o bem ou para o mal, no que diz respeito ao desenvolvimento emocional, cognitivo e mental, não só do bebé, mas como de ambos.

No entanto, dentro de uma relação protetora, suficientemente segura e essencial ao desenvolvimento dos afetos, o bebé desenvolve um sentimento de segurança perante o mundo, construído na confiança adquirida através da relação com a mãe.

É, neste passo importante no desenvolvimento, que o bebé desenvolve as capacidades cognitivas e emocionais no ato de acreditar.

A fantasia, é uma ferramenta essencial para auxiliar os humanos a formarem a coerência do mundo e diminuir a ansiedade.

Com a capacidade de fantasia vem a idealização, ou seja, uma identificação com partes (fantasiadas ou reais) da personalidade, capacidades ou status de outros, os quais servem um propósito de defesa contra ansiedades existenciais e um sentimento de auto-valorização. Por exemplo, a idealização de pertença a um grupo a qual um adolescente associa dotes mágicos, fora da realidade, mas que o sentimento de identificação ao grupo idealizado serve o propósito de fazer sentir poder e subir a sua auto- estima, e, muito importantemente, um sentimento de pertença.

Talvez uma grande fatia da responsabilidade em incentivar parte da população em construir livremente aquilo em que acredita, sem base científica ou com informação falsa (além da religião), pode, sem dúvida, ser atribuída ao pós-modernismo. O pós-modernismo formou-se como movimento após a Segunda Guerra Mundial. Foi, na sua essência, uma resposta reacionária à perceção enviesada de alguns em relação a percalços e falhas nos avanços do modernismo e nas leis universais que governam a natureza. Foi, também, um ataque a cientistas e à ciência, os quais e a qual se focam em provas objetivas como definição do que é a realidade.

De um ponto de vista pós-moderno, grupos e sociedade, constroem aquilo em que acreditam acerca do que é a realidade, sendo aquilo em que acreditam reforçado pela interpretação das suas experiências pessoais mundanas. Na visão do pós-modernismo, a realidade é aquilo que compreendemos ou imaginamos ser. O pensamento pós-moderno, porem com peso significativo na literatura, arte, arquitetura e humanidades, não explica absolutamente nada acerca do que é a realidade, a qual só há uma, regida por leis da física, as quais são irrevogáveis e constantes, independentemente daquilo em que um prefere acreditar.

Muito antes do Homo Sapiens cruzar a terra, desde os primeiros hominídeos até aos nossos primos mais próximos como o Homo Habilis, a evidência científica e transversal entre espécies e culturas aponta para um fator essencial em relação à nossa ancestral e moderna sobrevivência: somos animais sociais os quais necessitamos de estar em grupo para sobreviver. A confiança e acreditar nas capacidades de um grupo são inatas no reino animal e no ser humano. A pertença a um grupo serve como uma........

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