Nigéria: o silêncio cúmplice diante do martírio dos cristãos
A Nigéria é hoje um dos países mais perigosos do mundo para se ser cristão. Apesar de ser a maior potência demográfica de todo o continente africano e ter uma economia com uma vastidão de recursos naturais, vive mergulhada em divisões internas, corrupção e violência sectária. Nos últimos anos, milhares de cristãos foram assassinados em ataques que combinam motivações religiosas, étnicas e económicas. A perseguição assume várias formas: aldeias incendiadas, igrejas vandalizadas ou profanadas, sacerdotes sequestrados, comunidades deslocadas. E, no entanto, esta tragédia raramente chega com força às primeiras páginas dos jornais internacionais- e muito menos aos portugueses.
Para compreender a gravidade do que está em causa, é preciso conhecer o contexto histórico e religioso da Nigéria. Trata-se como mencionei anteriormente, do país mais populoso de África, com cerca de 232 milhões de habitantes, dividido quase equitativamente entre o norte de maioria muçulmana e o sul de maioria cristã, com uma presença significativa de religiões tradicionais africanas. Esta linha de fratura norte-sul é herança de um passado colonial e de fronteiras traçadas sem considerar as identidades locais. Desde a independência, em 1960, o país tem vivido entre golpes militares, guerra civil (1967-70), instabilidade política e uma desigualdade social extrema. Ao longo das últimas décadas, o radicalismo religioso ganhou espaço, sobretudo no norte, onde surgiram grupos jihadistas como o Boko Haram e a Província do Estado Islâmico da África Ocidental. A violência de grupos armados, muitas vezes associados a pastores fulani, somou-se às tensões históricas entre agricultores sedentários (maioritariamente cristãos) e comunidades nómadas muçulmanas. O........





















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