Um murro na mesa, com coerência

Elogiar um político é quase sempre ingrato — e, não raras vezes, imprudente: são uma classe que tem por hábito fazer promessas vazias que raramente se materializam, arrastando consigo quem outrora as elogiou.

É também difícil escrever sobre um político sem cair num texto partidário, enviesado ou doutrinal. É por isso que não o vou fazer: este não é um texto político. Não é um manifesto, nem tampouco uma eulogia. É um relato factual, de alguém que emigrou e que tentou regressar a Portugal. As conclusões, essas, pertencerão sempre ao leitor.

Os factos, esses, espelham a realidade de tantos portugueses: emigrei para a Suíça em 2018, com duas malas e uma decisão tomada à pressa. A princípio não me pareceu uma decisão difícil: como tantos outros da minha idade, deixei para trás apenas um ordenado mínimo, um contrato temporário e um país que parecia só me querer ver pelas costas.

Mas os anos foram passando e resolvi tentar regressar a Portugal.........

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