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O teatro do absurdo

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18.04.2026

O roteiro se repete. De agora em diante, os líderes europeus tentarão usar o Estreito de Ormuz para dar dignidade à sua inacção com a mesma abordagem que tem vindo a certificar a sua irrelevância e declínio.

É disso exemplo, o fio condutor que liga a retórica sobre a Ucrânia àquela que se desenrola agora em torno da iniciativa convocada pelo primeiro-ministro britânico Starmer, e não por Bruxelas, que, no entanto, aderiu quase imediatamente, para desbloqueio do Estreito de Ormuz. E é um fio condutor feito de anúncios, posturas agressivas, declarações pomposas e, quando colocado à prova, de confrangedora impotência.

Durante meses, ouvimos discursos sobre o envio de tropas, garantias de segurança, de membros “dispostos” e de estruturas internacionais de segurança robustas a serem criadas para garantir a soberania da Ucrânia. Parecia que a Europa estava finalmente prestes a agir, que tinha chegado o momento de mostrar a sua capacidade geopolítica. Então, no momento em que se começou a falar sobre quem deveria enviar soldados, com que mandato, sob quais condições e, acima de tudo, com que cobertura política e militar, ficou claro que por trás da encenação havia um vazio.

Agora encena-se o mesmo para o Estreito de Ormuz. Aqui também há uma emergência, aqui também há uma conferência internacional, aqui também há países “dispostos”, aqui também há declarações solenes sobre a liberdade de navegação. “A abertura do Estreito de Ormuz é urgente”, dizem Starmer e Macron. Sem dúvida. Mas a questão não é declarar a urgência: a questão é entender quem está disposto a fazer algo para realmente o reabrir. E aqui, mais uma vez, um deserto.

Porque, se prestarmos atenção às declarações de Londres sobre Ormuz, imediatamente se torna claro........

© Observador