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Os imutáveis /premium

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27.03.2019

1. Que se abrigará de tão raro na cabeça das pessoas que opinam sobre a direita para não acertarem uma? E insistirem em não acertar ? É um mistério: não podem ser todos assim tão pouco dotados, era coincidência forte demais (ou numa versão mais optimista era too good to be true); também não pode ser falta de informação e ninguém nasceu ontem: nem os que opinam nem os que são opinados. Só se for assim mesmo, de propósito… Senão como explicar erros de, como dizer?, “análise” tão grosseiramente desfocados? Às vezes pensa-se que será simplesmente, banalmente, trivialmente a preguiça: há um guião feito de clichés fora de prazo e toca a aviá-lo e escrevê-lo vezes sem conta. Não dá trabalho e há gente que a tudo se presta, da deficiente prestação televisiva à crónica ácida. Lembram-me até uma peça teatral que está em Londres há mais de oitenta anos, “A Ratoeira” que deve ser baratíssima: o mesmo teatro, o mesmo autor, o mesmo cenário, e os actores passando de geração em geração ou de pais para filhos como no governo socialista , sempre a dizerem o mesmo, o mesmo, o mesmo. Coitados.

2. Dizem-me que o ressentimento tudo explica e indo – como se deve ir – à natureza humana, ele está lá bem inscrito, em “gordas”, como nos jornais. Mas a verdade é que custa a crer que mesmo um grande, um imenso ressentido – alguém que tenha por exemplo sonhado ser o inspirado e inspirador guru intelectual de alguém e tenha afinal ficado longe disso, trocado por suposta (mas só suposta) menor figura – não se importe de, mais que ressentido, passar sobretudo por pouco sério ou por politicamente inverosímil, o que pode ser mau para quem tanto tempo, afinco e afã dedica à análise (?) dos comportamentos políticos dos outros. Contudo, é o que aí anda e o que aí está: as mesmas insinuações de péssimo gosto, falsidades disparadas como certezas, clichés mal alinhavados sem sombra de sentido e ainda menor conexão com a realidade. Ouve-se este realejo sobre a direita, ou as direitas, e tanto faz que passem dias ou anos: que ela é o que não é; que quer o que nunca disse querer; que aspira ao que já mostrou renegar, etc, etc. Espantoso que nenhum........

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